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Domingo, 5 de Outubro de 19108

FAMÍLIA FAUCHEZ

(FRAUCHES/FRAUCHE/FRANCHE) 

Na Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro), na Seção dos Manuscritos, encontra-se uma relação nominal dos 228 colonos suíços que, a 10 de outubro 1819, embarcaram para a cidade do Rio de Janeiro, vindos do Cantão de Vaud e saindo de Amstherdam. O livro de tombamento da Biblioteca Nacional registra a chegada de 209 imigrantes. Dezenove morreram na viagem. Entre os 228 suíços registrados nesse livro, encontra-se o de Jean Abraham Fauchez, abrasileirado, depois,  para João Abram Fauche. Idade consignada: 17 anos.

Henrique Bon, médico e pesquisador cantagalense, em seu livro IMIGRANTES – A saga do primeiro movimento migratório organizado rumo ao Brasil às portas da Independência, de co-autoria com Márcia Salomone, registra que o primeiro Frauches no Brasil chamava-se na verdade Jean Louis Abraham Fauchez, chegado ao Brasil ainda solteiro, com 17 anos, no navio Elisabeth-Marie. Fazia parte da migração suíça de 1819, era protestante e francófono, natural do Cantão de Vaud, e, em Nova Friburgo, ocupou por breve tempo a casa 8 e o lote 41. Em torno de 1822, casa-se, provavelmente em Cantagalo, com Anne-Marie Lugon-Moulin, do cantão de Valais, filha de Joseph-Elie Lugon-Moulin e Genevieve Lugon (eram primos). O casal teria pelo menos nove filhos, nascidos em Cantagalo, já registrados com o sobrenome Frauches. O citado livro registra os seguintes:

1 - Carlos Frauches – casado, em Cantagalo, com Olimpia Cardoso de Mello, filha de João Cardoso de Mello e Maria Cosendey.

2 - Francisca Frauches – casada, em 4/12/1850, com Paulino José da Silveira, português do bispado do Porto.

3 - João Frauches – casado, em 4/2/1864, em Cantagalo, com Maria "Ba" , filha de Joseph “Ba”( no registro de casamento ), provavelmente Maria Bard, filha de Joseph Bard.

4 - Maria Frauches – casada, em 16/11/1860, com Charles Vincent Cosandey, chegado ao Brasil em 1833 (não é o Jean-Joseph Cosandey, chegado em 1819, e ancestral de numerosa descendência). 

5 - Joanna Frauches – nascida, em maio de 1843, em Cantagalo, e casada, em 5/10/1861, com Henri Periard, filho de Joseph Periard e Marie Folly, também chegados em 1833.

6 - Maria Luiza Frauches, nascida, em 1844, em Cantagalo.

7 - Antonio Frauches, nascido, em 16 de janeiro de 1854, em Cantagalo.

8 - Florentina Frauches, batisada em Cantagalo aos 8/4/1844. Casou-se com Henrique Clemente Vollu (na realidade Volluz) filho do suíço de Valais, Pierre Benjamin Volluz e Virginia (não há registro do sobrenome).

9 - José Claudio Frauches, casado, em Cantagalo, em 3/2/1864, com Theodora Eccard (na verdade Eckhardt), filha de Luiz Henrique Eccard e Maria Lucrecia Adelia (não há registro de sobrenome), neta do alemão de Hanau, Bernard Adolph Eckhardt.

10 - Fernando Eduardo Henrique “Frado” (Frauches), filho de João Abraão “Frado” (Frauches) e Ana Maria Lugon, casado em28/5/1862, com Maria de Souza Godinho, filha de Luiz de Souza Godinho e Maria da Glória Rodrigues.

Segundo informações do médico Fabiano Biacnchi, nascido em Cachoeiro do Itapemirim (ES), sua avó, Maria Frauches, identifica, ainda, os seguintes filhos de JEAN LOUIS ABRAHAM FAUCHEZ:

11 - Dionísio Frauches, casado com Maria Florentina de Lima, com onze filhos, entre os quais, Agaleodório Frauches, nascido em 17/1/1904 e casado com Enedina Periard, filha de Lauriano Periard e Francisca Musy.

12 - José Frauches, (Zeca Frauches).

13 - Honório Frauches, (caçula).

José Fernandes Frauches Filho informa mais um filho de Jean Louis:

14 - Fernandes Henrique Frauches, pai de Emílio Fernandes Frauches, que é pai de José Fernandes Frauches, que é pai de José Fernandes Frauches Filho.

 Eduardo Frauche encontrou, no cemitério de São Sebastião do Paraíba, 4º distrito do município de Cantagalo (RJ), uma placa, perdida no meio de várias sepulturas, com os seguintes dizeres (como no original): “AQUI JAZ OS RESTO DE JOÃO ABROM FRAUCHE – NASCEO NO DIA 10 DE OITUBRO DE 1802 – FALECEO NO DIA 6 DE JUNHO DE 1875”. É o único documento que registra a data da morte de Jean Louis Abraham Fauchez, com o mesmo nome de sua entrada no Brasil, com uma ligeira alteração: em vez de Abram, Abrom. 

Henrique Bon informou, recentemente, que o livro 5º de registro de terras de Cantagalo (RJ), registra a venda que João Froch e sua mulher Maria, fazem a Henri Joseph Cortat, (Jean Abraham Fauchez - na assinatura Jean Frauches ), de uma posse de terras no Ribeirão da Taquara, em Cantagalo (RJ), por 600 mil réis, em final de 1832.

Da união de Jean Louis Abraham Fauchez com Anne-Marie Lugon-Moullin surgiu, portanto, a família Frauches, Frauche, Franche, Froch ou “Frado”, no Brasil.
Sobre os Fauchez, na Suíça, o sr. Gilbert Coutaz, da Chancelaria Suíça, informa que encontrou o nome de Louis Abraham Fauchez, de 17 anos de idade, entre os emigrantes, no estudo de Nicoulin, que embarcaram, no dia 10 de outubro de 1819, no navio Elizabeth Marie, com destino ao Brasil. Informa, contudo, que “Nós não dispomos de dossiê particular sobre a Família Fauchez. O único que poderia se aparentar a Abraham Louis Fauchez é Pierre Louis Fauchez, filho de Abraham Fauchez e de Marguerite, cujo nome de solteira era Peytermann. O nome de seu pai foi retomado provavelmente por Pierre Louis, filho mais velho do casal. Pierre Louis Fauchez nasceu em 15 fevereiro 1799 e foi batizado em Romainmotier (Canton de Vaud) em 25 fevereiro 1799. Nós encontramos informações sobre sua irmã, Marie Henriette, nascida em 20 abril de 1800 (acv, eb 116/6, p. 291) e de seu irmão, Pierre, nascido em 30 de dezembro 1801 (acv, eb 116/6, p. 300). A leitura dos registros de nascimentos e óbitos na Paróquia de Romainmotier, onde a cidade de Bofflens estava ligada, não me trouxe nenhuma nova informação”.

“A familia de Pierre Louis Fauchez – continua - não aparece em outras cidades Vaudois onde a gente encontra este patronímio. Ela parece ter deixado o Cantão de Vaud no início do século XIX. A idade jovem de Louis Abraham Fauchez - que parece aproximativa - e o fato de que ele seja o único deste nome entre os emigrantes deixa suposições de que ele estivesse órfão no momento de sua partida da Suíça e que ele foi adotado por uma família vaudoise. Eu ignoro porque ele partiu sozinho para o Brasil; eu não encontrei nenhum traço de relação com outra família vaudoise, o que torna minha suposição hipotética”.

III ENCONTRO DA FAMÍLIA FRAUCHES, SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA (RJ), 25 DE OUTUBRO DE 2003.

 

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